segunda-feira

Construir um olhar integrado entre sintoma e história emocional- convite HC UFPE


 

Psicóloga Kátia Baptista Guerra- Abordagem da Terapia do Esquema e TCC/ Brasil/ Recife

 Terapia do Esquema- Atendimento Psicológico Brasil/ Recife



Psicóloga Na Abordagem da Terapia do Esquema e TCC Brasil/ Recife


 

Intervenção no Apego Inseguro - Psicóloga Na abordagem da Terapia do Esquema e TCC

Link:

Apego Inseguro- Publicação Hospitalar  




Intervenção Psicológica no Apego Inseguro: contribuições clínicas, neurobiológicas e hospitalares


Minha atuação clínica e científica tem sido construída a partir da compreensão de que o apego inseguro é um dos principais organizadores do sofrimento psíquico e somático na infância, especialmente em contextos de adoecimento físico, hospitalização e dor idiopática. Ao longo dos últimos anos, venho desenvolvendo e sistematizando intervenções psicológicas que articulam Teoria do Apego, neurobiologia do desenvolvimento, psicologia hospitalar e metáforas terapêuticas, com resultados clínicos consistentes e publicações científicas.


Essa trajetória inclui trabalhos publicados em revista científica da área de Residência Pediátrica, nos quais demonstro, a partir de casos clínicos, como a intervenção precoce no apego inseguro contribui para a redução de sintomas de dor crônica idiopática em pediatria, diminuição da hipervigilância corporal, melhora da regulação emocional e redução da dependência de recursos exclusivamente medicamentosos. Esses achados reforçam que a dor, especialmente quando não explicada por alterações orgânicas, frequentemente se organiza como uma expressão neurobiológica de insegurança relacional, ativação crônica do eixo do estresse e falhas nos processos de regulação.


Em 2025, apresentei dois trabalhos no Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar, em Maceió, aprofundando essa compreensão e apresentando modelos interventivos autorais desenvolvidos na prática clínica hospitalar. Nesses trabalhos, articulei minhas metáforas terapêuticas, o Arquipélago de Si, a Metáfora da Represa, a Metáfora da Panela de Pressão e a Metáfora do Vulcão, como instrumentos clínicos que possibilitam acessar, simbolizar e reorganizar experiências emocionais precoces que não foram integradas verbalmente.


Essas metáforas não são recursos meramente ilustrativos, mas ferramentas clínicas fundamentadas na neurobiologia do apego e do trauma. Elas dialogam diretamente com os pressupostos de Bruce Perry, especialmente com o modelo da Árvore da Regulação, que compreende o desenvolvimento do cérebro de forma hierárquica e dependente da experiência relacional. A intervenção, portanto, precisa respeitar a organização neurobiológica da criança, iniciando pelos sistemas mais primitivos de segurança, ritmo e previsibilidade, antes de acessar conteúdos cognitivos e narrativos.


Da mesma forma, meus trabalhos se apoiam nos estudos de Daniel Siegel, especialmente no modelo do cérebro na palma da mão e no conceito de cérebro integrado, que evidencia que saúde mental não é ausência de sintomas, mas a capacidade de integrar emoção, corpo, cognição e vínculo. Crianças com histórico de apego inseguro, hospitalizações precoces ou experiências de imprevisibilidade tendem a apresentar um funcionamento cerebral fragmentado, o que se expressa tanto em sintomas emocionais quanto físicos.

A base relacional desse trabalho está ancorada na Teoria do Apego, idealizada por John Bowlby, que demonstrou que o apego seguro é um sistema biológico fundamental para a sobrevivência e para a saúde ao longo da vida. Complementarmente, os estudos de Sue Gerhardt sobre a neurobiologia do apego reforçam que a qualidade das interações precoces molda o desenvolvimento do cérebro, do sistema de estresse e da capacidade de autorregulação. Assim, experiências repetidas de insegurança, ausência emocional ou inconsistência não apenas afetam o psiquismo, mas deixam marcas neurobiológicas duradouras.


Diante disso, minha proposta de intervenção no apego inseguro, especialmente em contexto hospitalar, não se limita ao atendimento da criança, mas envolve leitura clínica do sintoma, compreensão da história relacional, mediação com a família e construção de experiências reparadoras de vínculo. As metáforas terapêuticas que desenvolvi permitem traduzir conceitos complexos em experiências acessíveis, tanto para crianças quanto para pais e equipes multiprofissionais, favorecendo adesão, compreensão e transformação clínica.


Os resultados observados ao longo dessa trajetória reforçam que intervir no apego inseguro é também intervir na prevenção de psicopatologias, na redução de sintomas físicos e na promoção de saúde integral. Trata-se de um trabalho que articula ciência, clínica e sensibilidade relacional, sustentado por evidências, mas também pela escuta profunda da história emocional inscrita no corpo da criança.


Psicóloga Kátia Baptista Guerra

Psicóloga Clínica e Hospitalar; Neuropsicóloga

CRP 02/22746