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Neurociência Aplicada às Vendas Farmacêuticas: Compreendendo o Comportamento Humano para Potencializar Resultados

Neurociência Aplicada às Vendas Farmacêuticas: Compreendendo o Comportamento Humano para Potencializar Resultados

Kátia Regina Neves Baptista Guerra
Psicóloga Clínica e Hospitalar | Neuropsicóloga | Pedagoga
Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, Terapia do Esquema e Neurociências



Introdução

Vivemos uma era em que o conhecimento técnico já não é suficiente para garantir resultados sustentáveis nas organizações. O avanço das neurociências tem demonstrado que decisões de compra, fidelização de clientes, liderança, negociação e desempenho profissional estão profundamente relacionados ao funcionamento cerebral, às emoções e às experiências humanas.

Foi a partir dessa compreensão que surgiu a oportunidade de integrar minha experiência na Psicologia, Neurociência, Educação e Saúde à mentoria empresarial conduzida por Eduardo Neves Baptista, voltada para o desenvolvimento estratégico de farmácias e organizações do setor farmacêutico.

Essa parceria tem como objetivo levar às empresas uma compreensão mais profunda sobre como o cérebro humano influencia decisões, relacionamentos, comportamento de consumo e processos de vendas, transformando conhecimento científico em estratégias práticas para o crescimento organizacional.

O Que a Neurociência Revela Sobre as Decisões de Compra?

Durante muito tempo acreditou-se que as pessoas compravam exclusivamente por critérios racionais. Atualmente, estudos da neurociência demonstram que a maior parte das decisões ocorre inicialmente em sistemas cerebrais ligados à emoção, à memória e à sensação de segurança.

Autores como Daniel Siegel, Bruce Perry, Gabor Maté e Sue Gerhardt demonstram que o cérebro humano é fortemente influenciado por experiências emocionais, relações de confiança e percepções de segurança.

Quando um cliente entra em uma farmácia, ele não está buscando apenas um produto.

  • Segurança;
  • Confiança;
  • Acolhimento;
  • Solução para um problema;
  • Sensação de cuidado.

Em outras palavras, antes de comprar um medicamento, um suplemento ou um produto de saúde, o cérebro está avaliando o ambiente, as pessoas e a qualidade da interação.

A Neurociência da Confiança

A confiança é um dos elementos mais importantes para qualquer negócio.

Sob a perspectiva neurobiológica, confiança significa redução de ameaça.

Quando o cérebro percebe segurança:

  • Reduz a ativação do sistema de alerta;
  • Aumenta a receptividade às informações;
  • Facilita a tomada de decisão;
  • Amplia a capacidade de vínculo.

Em ambientes farmacêuticos isso é ainda mais relevante, pois muitos clientes chegam fragilizados física ou emocionalmente. A maneira como são recebidos pode influenciar diretamente sua experiência e fidelização.

O Cérebro Não Compra Produtos: Compra Significados

A neurociência contemporânea demonstra que os seres humanos atribuem significado emocional às experiências.

Uma farmácia pode vender medicamentos. Mas também pode vender:

  • Cuidado;
  • Proteção;
  • Bem-estar;
  • Confiança;
  • Qualidade de vida.

Quando equipes compreendem essa lógica, deixam de focar exclusivamente no produto e passam a compreender as necessidades humanas que existem por trás de cada compra.

A Teoria do Apego e o Relacionamento com Clientes

Embora tradicionalmente aplicada ao desenvolvimento infantil, a Teoria do Apego oferece importantes contribuições para o universo corporativo.

Os estudos iniciados por John Bowlby demonstram que seres humanos tendem a buscar figuras que transmitam previsibilidade, segurança e suporte.

Nas relações comerciais ocorre fenômeno semelhante.

Clientes retornam aos lugares onde:

  • Sentem-se respeitados;
  • São ouvidos;
  • Encontram previsibilidade;
  • Recebem orientação confiável.

Assim como crianças necessitam de uma base segura para explorar o mundo, consumidores buscam empresas que funcionem como referências confiáveis em suas jornadas de saúde e cuidado.

Neurociência, Liderança e Cultura Organizacional

Não existe experiência positiva do cliente sem uma equipe emocionalmente saudável.

Os estudos de Bruce Perry demonstram que pessoas submetidas a ambientes de ameaça constante tendem a operar em estados defensivos, reduzindo criatividade, flexibilidade cognitiva e capacidade de resolução de problemas.

Por outro lado, ambientes organizacionais que promovem segurança psicológica favorecem:

  • Engajamento;
  • Cooperação;
  • Inovação;
  • Aprendizagem;
  • Desempenho sustentável.

Liderar pessoas não significa apenas administrar tarefas. Significa compreender como o cérebro humano responde ao reconhecimento, pertencimento e valorização.

A Neurobiologia da Comunicação

A comunicação eficaz não acontece apenas pelas palavras.

O cérebro interpreta continuamente:

  • Tom de voz;
  • Expressão facial;
  • Linguagem corporal;
  • Postura;
  • Coerência emocional.

As contribuições da Teoria Polivagal, desenvolvida por Stephen Porges, mostram que sinais de acolhimento e conexão influenciam diretamente o estado fisiológico das pessoas.

Equipes treinadas para estabelecer conexões genuínas produzem interações mais eficazes e memoráveis.

A Ciência do Pertencimento nas Organizações

Uma das descobertas mais importantes das neurociências modernas é que o cérebro humano foi construído para a conexão.

Pertencimento não é apenas um conceito emocional. É uma necessidade biológica.

Quando colaboradores sentem-se pertencentes:

  • Aumenta o comprometimento;
  • Reduz o turnover;
  • Melhora a satisfação profissional;
  • Amplia a colaboração entre equipes.

Empresas que compreendem essa dinâmica constroem culturas organizacionais mais fortes e resilientes.

A Parceria com a Mentoria de Eduardo Neves Baptista

A parceria com a mentoria de Eduardo Neves Baptista, fundador da plataforma Central de Cotações e especialista em compras estratégicas B2B, representa a união entre gestão estratégica e ciência do comportamento humano.

Enquanto a mentoria oferece ferramentas para crescimento empresarial, controle do CMV, aumento da lucratividade, gestão de compras, posicionamento estratégico e desenvolvimento organizacional, a neurociência contribui para compreender o fator mais importante de qualquer negócio: as pessoas.

O propósito dessa colaboração é traduzir conhecimentos científicos robustos para a realidade das farmácias e empresas, promovendo equipes mais conscientes, líderes mais preparados e relações comerciais mais humanas e eficazes.

Conheça a Mentoria de Eduardo Neves Baptista

Considerações Finais

O futuro das organizações não dependerá apenas da tecnologia, dos indicadores financeiros ou dos sistemas de gestão.

Dependerá, sobretudo, da capacidade de compreender o ser humano.

A neurociência tem mostrado que vender, liderar, negociar e cuidar são atividades profundamente conectadas ao funcionamento cerebral e às necessidades emocionais das pessoas.

Quando empresas aprendem a integrar ciência, comportamento humano e estratégia, deixam de oferecer apenas produtos ou serviços.

Passam a construir experiências, relacionamentos e confiança.

E é justamente nessa convergência entre neurociência, psicologia e gestão que se encontra uma das maiores oportunidades de transformação para o setor farmacêutico contemporâneo.


Adolescentes Virtuais: Os Perigos da Navegação Sem Limites na Internet e o Papel da Família na Proteção Emocional dos Jovens

 Adolescentes Virtuais: Os Perigos da Navegação Sem Limites na Internet e o Papel da Família na Proteção Emocional dos Jovens


Kátia Regina Neves Baptista Guerra

Psicóloga Clínica e Hospitalar 

CRP 02/22746




No dia 31 de março de 2025, fui convidada pelo Diário de Pernambuco para contribuir com a reportagem “Adolescentes virtuais: os perigos da navegação sem limites na internet”, publicada após a repercussão da série Adolescência, da Netflix.

 A matéria abordou os desafios enfrentados pelas famílias diante da crescente influência das redes sociais sobre a saúde mental, o comportamento e o desenvolvimento emocional dos adolescentes.

A reportagem pode ser acessada em:

https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2025/03/adolescentes-virtuais-o-perigo-da-navegacao-sem-limites-na-internet.html

Falar sobre esse tema não representa apenas uma opinião profissional, mas a continuidade de uma trajetória construída ao longo de mais de vinte anos de trabalho com crianças, adolescentes e famílias. Minha atuação iniciou-se na área educacional, como professora e coordenadora escolar infantil, e posteriormente ampliou-se para a Psicologia Clínica e Hospitalar, com foco na infância, adolescência, trauma, apego e desenvolvimento emocional.

Atualmente, além da atuação clínica, desenvolvo pesquisas sobre intervenção precoce no apego inseguro e prevenção de psicopatologias na infância. Sou autora de trabalhos científicos voltados à saúde mental infantojuvenil, incluindo publicações na revista Residência Pediátrica sobre a intervenção psicológica em contextos hospitalares e a relação entre experiências emocionais precoces, apego inseguro e manifestações psicossomáticas em crianças e adolescentes.

Essa experiência clínica, hospitalar e acadêmica tem mostrado que a discussão sobre o uso das redes sociais não pode ser reduzida apenas ao número de horas diante das telas. A questão mais profunda envolve compreender quais necessidades emocionais os adolescentes estão tentando atender quando permanecem conectados durante grande parte do dia.

A adolescência é uma fase de intensas transformações biológicas, cognitivas, emocionais e sociais. Nesse período, o jovem procura construir sua identidade, desenvolver autonomia e encontrar seu lugar no mundo. O desejo de pertencimento torna-se uma necessidade central. Quando essa necessidade não encontra espaço suficiente em vínculos familiares, escolares e comunitários saudáveis, muitos adolescentes passam a buscar reconhecimento e validação principalmente nos ambientes virtuais.

As plataformas digitais oferecem recompensas rápidas e constantes. Curtidas, comentários e compartilhamentos funcionam como reforçadores imediatos que estimulam circuitos cerebrais relacionados à recompensa e ao prazer. Em um cérebro que ainda está em desenvolvimento, especialmente nas áreas responsáveis pelo controle de impulsos, planejamento e tomada de decisão, esses estímulos podem exercer forte influência sobre comportamentos, emoções e escolhas.

Na prática clínica, tenho observado adolescentes que chegam ao atendimento apresentando sofrimento relacionado à comparação excessiva, dificuldades de autoimagem, ansiedade, medo de rejeição, cyberbullying, isolamento social e dependência emocional da aprovação virtual. Frequentemente, o sofrimento não está apenas no conteúdo acessado, mas na ausência de espaços seguros para falar sobre suas emoções, dúvidas e conflitos.

Essas observações encontram respaldo em diferentes áreas do conhecimento. A Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby e aprofundada por Mary Ainsworth, demonstra que a qualidade dos vínculos estabelecidos na infância influencia diretamente a forma como crianças e adolescentes desenvolvem autoestima, confiança e capacidade de regulação emocional. Autores contemporâneos como Daniel Siegel, Sue Gerhardt, Bruce Perry, Bessel van der Kolk e Stephen Porges reforçam que a presença emocional dos cuidadores exerce papel fundamental na organização do sistema nervoso e na construção da resiliência psicológica.


Por essa razão, acredito que a principal proteção não está apenas nos filtros tecnológicos ou no monitoramento digital. A proteção mais consistente continua sendo a qualidade das relações humanas. Adolescentes que se sentem vistos, ouvidos, acolhidos e compreendidos dentro de casa tendem a desenvolver maior senso crítico, melhor capacidade de autorregulação e menor vulnerabilidade diante de influências nocivas.

A escola também ocupa posição estratégica nesse processo. O fortalecimento das habilidades socioemocionais, a prevenção ao bullying, a mediação de conflitos e a promoção de ambientes seguros são medidas fundamentais para proteger a saúde mental dos estudantes e fortalecer fatores de proteção ao longo do desenvolvimento.

Ao longo da minha atuação como psicóloga clínica e hospitalar, tenho defendido que a prevenção em saúde mental começa muito antes do aparecimento dos sintomas. Ela começa nos vínculos. Começa na escuta. Começa na presença emocional dos adultos responsáveis pelo cuidado.

Mais do que controlar telas, precisamos compreender o que os adolescentes procuram nelas. Mais do que fiscalizar comportamentos, precisamos construir relações de confiança. Mais do que limitar acessos, precisamos oferecer pertencimento, segurança emocional e conexão humana.

A internet continuará fazendo parte da vida das novas gerações. O desafio não é afastar os jovens desse universo, mas ajudá-los a navegar por ele com responsabilidade, equilíbrio e senso crítico. 

Quanto mais fortalecermos os vínculos familiares, escolares e comunitários, menores serão as chances de que crianças e adolescentes busquem no mundo virtual aquilo que deveria ser encontrado primeiro nas relações que sustentam seu desenvolvimento: acolhimento, proteção, amor e pertencimento.







segunda-feira

Construir um olhar integrado entre sintoma e história emocional- convite HC UFPE


 

Psicóloga Na Abordagem da Terapia do Esquema e TCC Brasil/ Recife


 

Intervenção no Apego Inseguro - Psicóloga Na abordagem da Terapia do Esquema e TCC

Link:

Apego Inseguro- Publicação Hospitalar  




Intervenção Psicológica no Apego Inseguro: contribuições clínicas, neurobiológicas e hospitalares


Minha atuação clínica e científica tem sido construída a partir da compreensão de que o apego inseguro é um dos principais organizadores do sofrimento psíquico e somático na infância, especialmente em contextos de adoecimento físico, hospitalização e dor idiopática. Ao longo dos últimos anos, venho desenvolvendo e sistematizando intervenções psicológicas que articulam Teoria do Apego, neurobiologia do desenvolvimento, psicologia hospitalar e metáforas terapêuticas, com resultados clínicos consistentes e publicações científicas.


Essa trajetória inclui trabalhos publicados em revista científica da área de Residência Pediátrica, nos quais demonstro, a partir de casos clínicos, como a intervenção precoce no apego inseguro contribui para a redução de sintomas de dor crônica idiopática em pediatria, diminuição da hipervigilância corporal, melhora da regulação emocional e redução da dependência de recursos exclusivamente medicamentosos. Esses achados reforçam que a dor, especialmente quando não explicada por alterações orgânicas, frequentemente se organiza como uma expressão neurobiológica de insegurança relacional, ativação crônica do eixo do estresse e falhas nos processos de regulação.


Em 2025, apresentei dois trabalhos no Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar, em Maceió, aprofundando essa compreensão e apresentando modelos interventivos autorais desenvolvidos na prática clínica hospitalar. Nesses trabalhos, articulei minhas metáforas terapêuticas, o Arquipélago de Si, a Metáfora da Represa, a Metáfora da Panela de Pressão e a Metáfora do Vulcão, como instrumentos clínicos que possibilitam acessar, simbolizar e reorganizar experiências emocionais precoces que não foram integradas verbalmente.


Essas metáforas não são recursos meramente ilustrativos, mas ferramentas clínicas fundamentadas na neurobiologia do apego e do trauma. Elas dialogam diretamente com os pressupostos de Bruce Perry, especialmente com o modelo da Árvore da Regulação, que compreende o desenvolvimento do cérebro de forma hierárquica e dependente da experiência relacional. A intervenção, portanto, precisa respeitar a organização neurobiológica da criança, iniciando pelos sistemas mais primitivos de segurança, ritmo e previsibilidade, antes de acessar conteúdos cognitivos e narrativos.


Da mesma forma, meus trabalhos se apoiam nos estudos de Daniel Siegel, especialmente no modelo do cérebro na palma da mão e no conceito de cérebro integrado, que evidencia que saúde mental não é ausência de sintomas, mas a capacidade de integrar emoção, corpo, cognição e vínculo. Crianças com histórico de apego inseguro, hospitalizações precoces ou experiências de imprevisibilidade tendem a apresentar um funcionamento cerebral fragmentado, o que se expressa tanto em sintomas emocionais quanto físicos.

A base relacional desse trabalho está ancorada na Teoria do Apego, idealizada por John Bowlby, que demonstrou que o apego seguro é um sistema biológico fundamental para a sobrevivência e para a saúde ao longo da vida. Complementarmente, os estudos de Sue Gerhardt sobre a neurobiologia do apego reforçam que a qualidade das interações precoces molda o desenvolvimento do cérebro, do sistema de estresse e da capacidade de autorregulação. Assim, experiências repetidas de insegurança, ausência emocional ou inconsistência não apenas afetam o psiquismo, mas deixam marcas neurobiológicas duradouras.


Diante disso, minha proposta de intervenção no apego inseguro, especialmente em contexto hospitalar, não se limita ao atendimento da criança, mas envolve leitura clínica do sintoma, compreensão da história relacional, mediação com a família e construção de experiências reparadoras de vínculo. As metáforas terapêuticas que desenvolvi permitem traduzir conceitos complexos em experiências acessíveis, tanto para crianças quanto para pais e equipes multiprofissionais, favorecendo adesão, compreensão e transformação clínica.


Os resultados observados ao longo dessa trajetória reforçam que intervir no apego inseguro é também intervir na prevenção de psicopatologias, na redução de sintomas físicos e na promoção de saúde integral. Trata-se de um trabalho que articula ciência, clínica e sensibilidade relacional, sustentado por evidências, mas também pela escuta profunda da história emocional inscrita no corpo da criança.


Psicóloga Kátia Baptista Guerra

Psicóloga Clínica e Hospitalar; Neuropsicóloga

CRP 02/22746

quarta-feira

Lila e o Arquipélago de Si

 Lila e a Viagem pelo Arquipélago de Si




Uma história sobre sentir, entender e cuidar.


Lila sempre sentiu as coisas de um jeito diferente. Às vezes era um aperto no peito. 


Em outros  dias, uma sensação estranha na barriga. Havia momentos em que o corpo

parecia cansado, mesmo sem ter feito nada demais.


Quando alguém perguntava o que estava acontecendo, Lila pensava por alguns

segundos e respondia que estava tudo bem. Mas, por dentro, não estava.


Ela sentia muito, mas não sabia explicar.

Em um desses dias, Lila conheceu a Psicóloga Tita. Tita não chegou fazendo perguntas difíceis. 


Ela sentou perto, no mesmo nível, e ficou ali. Depois de um tempo, disse com voz tranquila: Às vezes, quando a gente não entende o que sente, é porque a história é grande demais para caber numa palavra só.


Lila ficou em silêncio. E aquele silêncio já foi um começo.


Tita apontou para o mar e explicou que, dentro de cada pessoa, existe um Arquipélago.


Um conjunto de ilhas que guardam partes importantes da nossa história.


Ao lado delas, havia um barquinho simples. Não era grande, nem rápido. Mas parecia

seguro.


Tita convidou Lila a entrar. Disse que não havia pressa, nem certo ou errado. Apenas

curiosidade.


A primeira ilha era colorida e delicada. Tita explicou que aquela era a Ilha do

Temperamento. Era o jeito com que Lila nasceu sentindo o mundo.


Ali, tudo parecia mais intenso. O vento, as cores, os sons.


Lila perguntou se aquilo era um problema. Tita respondeu que não. Era apenas um

ponto de partida.


Na ilha seguinte, havia pequenas casas. Algumas estavam cheias. Outras vazias.

Tita explicou que aquela era a Ilha das Necessidades Emocionais. Toda criança precisa de segurança, presença, previsibilidade e validação.


Lila parou diante de uma casa vazia. Ela não lembrava de algo muito específico. Mas

lembrava da sensação de esperar. De se adaptar. De não querer incomodar.


Tita explicou que, quando algo importante falta, o corpo percebe antes da mente.

Depois, chegaram à Ilha dos Estilos Parentais. Havia adultos ocupados, cansados, tentando dar conta de tudo.


Tita explicou que ali não havia culpa. Havia histórias. 


As crianças não interpretam

intenção. Elas interpretam presença.Na Ilha dos Ambientes, tudo mudava. Casas, escolas, caminhos. Algumas mudanças

pareciam pequenas. Mas, juntas, ensinavam o corpo a ficar atento.


Por fim, chegaram à Ilha dos Sinais. O mar estava agitado. Ali apareciam a ansiedade, o medo de separação, a vontade de agradar.


Tita explicou que os sinais não eram defeitos. Eram formas de proteção.

Lila chorou. Não de tristeza. Mas de alívio.

Na volta, o mar estava mais calmo. Não porque tudo tinha sido resolvido, mas porque agora fazia sentido.


Lila aprendeu que sentir não afasta. Sentir aproxima.


E que não precisamos atravessar o mar sozinho!❤️



Trabalho Clínico detalhado apresentado no Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar 2025 em

Maceió-AL- Brasil.🇧🇷 




Lila e a Viagem pelo Arquipélago de Si



Uma história sobre sentir, entender e cuidar




O começo



Lila sempre sentiu as coisas de um jeito diferente.

Às vezes era uma sensação no peito.

Outras vezes, um aperto na barriga.

Havia dias em que o corpo parecia cansado, mesmo sem ter feito nada.


Ela sentia… mas não sabia explicar.


Quando alguém perguntava:

- “O que foi?”

Lila pensava… e respondia:

- “Nada.”


Mas não era nada.

Era muita coisa ao mesmo tempo.






O encontro



Num desses dias confusos, Lila encontrou a Psicóloga Tita.

Tita não chegou perguntando.

Ela chegou sentando perto.

No mesmo nível.

Com calma.


- “Às vezes,” disse Tita, “quando a gente não entende o que sente, é porque a história é grande demais para caber numa palavra só.”


Lila ficou em silêncio.

E isso já foi o começo.






O convite



Tita apontou para o mar.


- “Dentro de cada pessoa existe um Arquipélago,” explicou.

- “Um conjunto de ilhas que guardam partes importantes da nossa história.”


Ao lado delas, havia um barquinho simples.

Não era grande.

Nem rápido.

Mas parecia firme.


- “A gente pode visitar essas ilhas juntas,” disse Tita.

- “Sem pressa. Sem julgamento.”


Lila respirou fundo.

E entrou no barco.






A Ilha do Temperamento



A primeira ilha era colorida.

Cheia de flores delicadas, sons suaves e caminhos sensíveis.


-“Essa é a Ilha do Temperamento,” explicou Tita.

- “É o jeito com que você nasceu sentindo o mundo.”


Lila percebeu que ali tudo era mais intenso:

o vento, as cores, os sons.


- “Então eu sou assim?”

- “Sim,” respondeu Tita.

- “E isso não é um defeito. É um ponto de partida.”


Lila nunca tinha pensado nisso daquele jeito.






A Ilha das Necessidades Emocionais



Na ilha seguinte, havia casas.

Algumas iluminadas.

Outras vazias.


- “Aqui ficam as necessidades emocionais,” explicou Tita.

- “Toda criança precisa de segurança, presença, validação, previsibilidade.”


Lila parou diante de uma casa vazia.


Ela não lembrava de algo ruim específico.

Mas lembrava da sensação.


A sensação de esperar.

De se adaptar.

De não querer dar trabalho.


- “Quando uma necessidade não é atendida,” disse Tita com cuidado,

- “o corpo sente, mesmo quando a mente não sabe explicar.”






A Ilha dos Estilos Parentais



Essa ilha tinha adultos ocupados.

Alguns falavam ao telefone.

Outros pareciam cansados.


- “Aqui não existem vilões,” explicou Tita.

- “Existem histórias.”


Lila observava em silêncio.


- “As crianças não interpretam intenção,” continuou Tita.

- “Elas interpretam presença.”


Lila sentiu um nó na garganta.

Não era raiva.

Era compreensão misturada com tristeza.






A Ilha dos Ambientes



Nessa ilha, tudo mudava rápido:

escolas, casas, caminhos, pessoas.


-“Ambientes ensinam o corpo a se proteger,” explicou Tita.

- “Mesmo quando ninguém quer machucar.”


Lila lembrou de mudanças, despedidas, palavras que ficaram marcadas.


Nada parecia grande demais…

mas tudo junto era pesado.






A Ilha dos Sinais (Sintomas)



A última ilha tinha ondas agitadas.

O vento era forte.


- “Aqui chegam os sinais,” disse Tita.

- “Ansiedade, medo de separação, vontade de agradar, dores no corpo.”


Lila se reconheceu ali.


- “Isso não é quem você é,” disse Tita.

- “É como você aprendeu a se proteger.”


Lila chorou.

Não de desespero.

De alívio.






O retorno



Na volta, o mar estava mais calmo.

Não porque tudo tinha sido resolvido.

Mas porque agora fazia sentido.


- “Quando a história é compreendida,” disse Tita,

- “o corpo não precisa gritar tão alto.”


O barco encostou na praia.


Lila desceu diferente.

Mais inteira.






O que Lila aprendeu



Lila aprendeu que: 


1-sentir não é fraqueza;

2-sintomas são mensagens;

3-vínculo cura mais do que controle;

4-ninguém atravessa o mar sozinho.



E que cuidar do apego é construir, aos poucos, um lugar seguro dentro de si.


É com muito prazer que apresento uma das metáforas apresentadas no Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar em 2025.💝









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