terça-feira

Apego seguro: segurança emocional não significa ausência de limites

 

Quando falamos em apego seguro, não estamos falando de uma infância sem frustrações, conflitos ou limites. Uma relação segura não exige cuidadores perfeitos. Ela é construída, principalmente, por experiências repetidas nas quais a criança encontra disponibilidade, proteção, acolhimento e respostas suficientemente previsíveis quando precisa do adulto.


Na prática, oferecer segurança também significa estabelecer limites claros e adequados à idade. A criança pode ouvir “não”, esperar, lidar com pequenas frustrações e aprender que nem todos os seus desejos serão atendidos. O que faz diferença é a maneira como o adulto permanece emocionalmente disponível durante esses momentos: é possível sustentar um limite e, ao mesmo tempo, reconhecer o sentimento da criança.


Ao longo do desenvolvimento, essas experiências ajudam a criança a construir confiança para explorar o mundo e retornar à sua base de segurança quando necessário. Aos poucos, aquilo que inicialmente acontece na relação com o cuidador também participa do desenvolvimento de recursos para reconhecer emoções, buscar ajuda e se reorganizar diante de situações difíceis.


Por isso, acolher não é permitir tudo. Segurança emocional envolve afeto, previsibilidade, proteção e limites. Quando o adulto consegue comunicar “eu compreendo o que você está sentindo, estou aqui com você, mas esse limite continua existindo”, ele oferece à criança uma experiência importante: emoções podem ser acolhidas sem que os limites desapareçam.


Apego seguro não é criar um mundo sem frustrações. É oferecer uma relação suficientemente segura para que a criança aprenda a atravessá-las.


Kátia Regina Neves Baptista Guerra

Psicóloga Clínica 

 CRP 02/22746

Nenhum comentário:

Perfil

Apego seguro: segurança emocional não significa ausência de limites

  Quando falamos em apego seguro, não estamos falando de uma infância sem frustrações, conflitos ou limites. Uma relação segura não exige cu...