Quando falamos em apego seguro, não estamos falando de uma infância sem frustrações, conflitos ou limites. Uma relação segura não exige cuidadores perfeitos. Ela é construída, principalmente, por experiências repetidas nas quais a criança encontra disponibilidade, proteção, acolhimento e respostas suficientemente previsíveis quando precisa do adulto.
Na prática, oferecer segurança também significa estabelecer limites claros e adequados à idade. A criança pode ouvir “não”, esperar, lidar com pequenas frustrações e aprender que nem todos os seus desejos serão atendidos. O que faz diferença é a maneira como o adulto permanece emocionalmente disponível durante esses momentos: é possível sustentar um limite e, ao mesmo tempo, reconhecer o sentimento da criança.
Ao longo do desenvolvimento, essas experiências ajudam a criança a construir confiança para explorar o mundo e retornar à sua base de segurança quando necessário. Aos poucos, aquilo que inicialmente acontece na relação com o cuidador também participa do desenvolvimento de recursos para reconhecer emoções, buscar ajuda e se reorganizar diante de situações difíceis.
Por isso, acolher não é permitir tudo. Segurança emocional envolve afeto, previsibilidade, proteção e limites. Quando o adulto consegue comunicar “eu compreendo o que você está sentindo, estou aqui com você, mas esse limite continua existindo”, ele oferece à criança uma experiência importante: emoções podem ser acolhidas sem que os limites desapareçam.
Apego seguro não é criar um mundo sem frustrações. É oferecer uma relação suficientemente segura para que a criança aprenda a atravessá-las.
Kátia Regina Neves Baptista Guerra
Psicóloga Clínica
CRP 02/22746

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