quarta-feira

Lila e o Arquipélago de Si

 Lila e a Viagem pelo Arquipélago de Si




Uma história sobre sentir, entender e cuidar.


Lila sempre sentiu as coisas de um jeito diferente. Às vezes era um aperto no peito. 


Em outros  dias, uma sensação estranha na barriga. Havia momentos em que o corpo

parecia cansado, mesmo sem ter feito nada demais.


Quando alguém perguntava o que estava acontecendo, Lila pensava por alguns

segundos e respondia que estava tudo bem. Mas, por dentro, não estava.


Ela sentia muito, mas não sabia explicar.

Em um desses dias, Lila conheceu a Psicóloga Tita. Tita não chegou fazendo perguntas difíceis. 


Ela sentou perto, no mesmo nível, e ficou ali. Depois de um tempo, disse com voz tranquila: Às vezes, quando a gente não entende o que sente, é porque a história é grande demais para caber numa palavra só.


Lila ficou em silêncio. E aquele silêncio já foi um começo.


Tita apontou para o mar e explicou que, dentro de cada pessoa, existe um Arquipélago.


Um conjunto de ilhas que guardam partes importantes da nossa história.


Ao lado delas, havia um barquinho simples. Não era grande, nem rápido. Mas parecia

seguro.


Tita convidou Lila a entrar. Disse que não havia pressa, nem certo ou errado. Apenas

curiosidade.


A primeira ilha era colorida e delicada. Tita explicou que aquela era a Ilha do

Temperamento. Era o jeito com que Lila nasceu sentindo o mundo.


Ali, tudo parecia mais intenso. O vento, as cores, os sons.


Lila perguntou se aquilo era um problema. Tita respondeu que não. Era apenas um

ponto de partida.


Na ilha seguinte, havia pequenas casas. Algumas estavam cheias. Outras vazias.

Tita explicou que aquela era a Ilha das Necessidades Emocionais. Toda criança precisa de segurança, presença, previsibilidade e validação.


Lila parou diante de uma casa vazia. Ela não lembrava de algo muito específico. Mas

lembrava da sensação de esperar. De se adaptar. De não querer incomodar.


Tita explicou que, quando algo importante falta, o corpo percebe antes da mente.

Depois, chegaram à Ilha dos Estilos Parentais. Havia adultos ocupados, cansados, tentando dar conta de tudo.


Tita explicou que ali não havia culpa. Havia histórias. 


As crianças não interpretam

intenção. Elas interpretam presença.Na Ilha dos Ambientes, tudo mudava. Casas, escolas, caminhos. Algumas mudanças

pareciam pequenas. Mas, juntas, ensinavam o corpo a ficar atento.


Por fim, chegaram à Ilha dos Sinais. O mar estava agitado. Ali apareciam a ansiedade, o medo de separação, a vontade de agradar.


Tita explicou que os sinais não eram defeitos. Eram formas de proteção.

Lila chorou. Não de tristeza. Mas de alívio.

Na volta, o mar estava mais calmo. Não porque tudo tinha sido resolvido, mas porque agora fazia sentido.


Lila aprendeu que sentir não afasta. Sentir aproxima.


E que não precisamos atravessar o mar sozinho!❤️



Trabalho Clínico detalhado apresentado no Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar 2025 em

Maceió-AL- Brasil.🇧🇷 




Lila e a Viagem pelo Arquipélago de Si



Uma história sobre sentir, entender e cuidar




O começo



Lila sempre sentiu as coisas de um jeito diferente.

Às vezes era uma sensação no peito.

Outras vezes, um aperto na barriga.

Havia dias em que o corpo parecia cansado, mesmo sem ter feito nada.


Ela sentia… mas não sabia explicar.


Quando alguém perguntava:

- “O que foi?”

Lila pensava… e respondia:

- “Nada.”


Mas não era nada.

Era muita coisa ao mesmo tempo.






O encontro



Num desses dias confusos, Lila encontrou a Psicóloga Tita.

Tita não chegou perguntando.

Ela chegou sentando perto.

No mesmo nível.

Com calma.


- “Às vezes,” disse Tita, “quando a gente não entende o que sente, é porque a história é grande demais para caber numa palavra só.”


Lila ficou em silêncio.

E isso já foi o começo.






O convite



Tita apontou para o mar.


- “Dentro de cada pessoa existe um Arquipélago,” explicou.

- “Um conjunto de ilhas que guardam partes importantes da nossa história.”


Ao lado delas, havia um barquinho simples.

Não era grande.

Nem rápido.

Mas parecia firme.


- “A gente pode visitar essas ilhas juntas,” disse Tita.

- “Sem pressa. Sem julgamento.”


Lila respirou fundo.

E entrou no barco.






A Ilha do Temperamento



A primeira ilha era colorida.

Cheia de flores delicadas, sons suaves e caminhos sensíveis.


-“Essa é a Ilha do Temperamento,” explicou Tita.

- “É o jeito com que você nasceu sentindo o mundo.”


Lila percebeu que ali tudo era mais intenso:

o vento, as cores, os sons.


- “Então eu sou assim?”

- “Sim,” respondeu Tita.

- “E isso não é um defeito. É um ponto de partida.”


Lila nunca tinha pensado nisso daquele jeito.






A Ilha das Necessidades Emocionais



Na ilha seguinte, havia casas.

Algumas iluminadas.

Outras vazias.


- “Aqui ficam as necessidades emocionais,” explicou Tita.

- “Toda criança precisa de segurança, presença, validação, previsibilidade.”


Lila parou diante de uma casa vazia.


Ela não lembrava de algo ruim específico.

Mas lembrava da sensação.


A sensação de esperar.

De se adaptar.

De não querer dar trabalho.


- “Quando uma necessidade não é atendida,” disse Tita com cuidado,

- “o corpo sente, mesmo quando a mente não sabe explicar.”






A Ilha dos Estilos Parentais



Essa ilha tinha adultos ocupados.

Alguns falavam ao telefone.

Outros pareciam cansados.


- “Aqui não existem vilões,” explicou Tita.

- “Existem histórias.”


Lila observava em silêncio.


- “As crianças não interpretam intenção,” continuou Tita.

- “Elas interpretam presença.”


Lila sentiu um nó na garganta.

Não era raiva.

Era compreensão misturada com tristeza.






A Ilha dos Ambientes



Nessa ilha, tudo mudava rápido:

escolas, casas, caminhos, pessoas.


-“Ambientes ensinam o corpo a se proteger,” explicou Tita.

- “Mesmo quando ninguém quer machucar.”


Lila lembrou de mudanças, despedidas, palavras que ficaram marcadas.


Nada parecia grande demais…

mas tudo junto era pesado.






A Ilha dos Sinais (Sintomas)



A última ilha tinha ondas agitadas.

O vento era forte.


- “Aqui chegam os sinais,” disse Tita.

- “Ansiedade, medo de separação, vontade de agradar, dores no corpo.”


Lila se reconheceu ali.


- “Isso não é quem você é,” disse Tita.

- “É como você aprendeu a se proteger.”


Lila chorou.

Não de desespero.

De alívio.






O retorno



Na volta, o mar estava mais calmo.

Não porque tudo tinha sido resolvido.

Mas porque agora fazia sentido.


- “Quando a história é compreendida,” disse Tita,

- “o corpo não precisa gritar tão alto.”


O barco encostou na praia.


Lila desceu diferente.

Mais inteira.






O que Lila aprendeu



Lila aprendeu que: 


1-sentir não é fraqueza;

2-sintomas são mensagens;

3-vínculo cura mais do que controle;

4-ninguém atravessa o mar sozinho.



E que cuidar do apego é construir, aos poucos, um lugar seguro dentro de si.


É com muito prazer que apresento uma das metáforas apresentadas no Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar em 2025.💝









sábado

O SENTIDO DO EXISTIR CONSTRUÍDO ATRAVÉS DA AUTOBIOGRAFIA DURANTE O PROCESSO DE ADOECIMENTO E HOSPITALIZAÇÃO

 

Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar 

2019- Salvador 


O SENTIDO DO EXISTIR CONSTRUÍDO ATRAVÉS DA AUTOBIOGRAFIA DURANTE O PROCESSO DE ADOECIMENTO E HOSPITALIZAÇÃO

Eixo Horizontal: EH12: PESQUISA, PRODUCAO E DIVULGAÇÃO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Eixo Vertical: EV1: PRÁTICAS PROFISSIONAIS

Kátia Regina Neves Baptista Guerra;


O presente trabalho trata de um relato de experiência sobre a perspectiva da área da psicologia hospitalar, desenvolvido no projeto de extensão Brinquedoteca do setor de Pediatria, em um hospital público da cidade do Recife-PE. O interesse por narrativa autobiográfica vivenciada na prática pedagógica, subsidia esta proposta de estudo no âmbito da psicologia hospitalar. A partir das inquietações advindas da observação do movimento e/ou cinesia apresentado pelas crianças e adolescentes, projeta-se o olhar a uma ludicidade expressada nos desenhos, na pintura e na escrita. Nesse contexto, emerge o interesse de (re)conhecer o hoje desses sujeitos hospitalizados. As atividades psicoeducativas propostas promovem o (re)significado do seu momento de adoecimento. Este projeto de intervenção hospitalar intitula-se: O LIVRO DOS HOJES. Simonetti (2014) nos traz como possibilidade para o manejo clínico da psicologia hospitalar a psicoeducação, como um campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento. O objetivo geral apresentar a importância da autobiografia sobre um manejo clínico psiceducativo para sujeitos hospitalizados, bem como promover atividades psicoeducativas às crianças e adolescentes hospitalizados;Possibilitar um (re) significado do sentido do existir em cada sujeito hospitalizado;Desenvolver o Livro dos Hojes nos sujeitos hospitalizados. A metodologia deste projeto é um relato de experiência sobre uma prática de intervenção psicoeducativa iniciada em 2016, realizada em um hospital público da cidade do Recife-PE. O local da vivência é o setor de Pediatria, especificamente na Brinquedoteca. O público alvo são as crianças e adolescentes internados, de ambos os sexos, com idades aproximadas de 2 anos até 17 anos e 11 meses. Eles são acompanhados pelo setor de psicologia, que as convida a expressar diariamente no seu Livro dos Hojes sua vivência sobre o seu adoecimento e hospitalização. Através da produção do livro, ocorrem as intervenções individualmente sobre suas narrativas expressivas, que permite ultrapassar o manejo pedagógico, para o âmbito da psicologia hospitalar. Critelli (2016) relata que por meio da narrativa o indivíduo pode além de expor ao outro sua explicação sobre determinado fato, tem a possibilidade de ao mesmo tempo revisitar e ressignificar experiências que não fizeram sentido.

Quanto à presença do outro, torna-se imprescindível a testemunha para autenticar as ações na experiência. Tem como resultado sobre esta intervenção Psicoeducativa, intitulada O LIVRO DOS HOJES, que possibilita às crianças e adolescentes hospitalizados elaborar uma atividade pedagógica, que gradualmente promove uma compreensão sobre o seu processo atual, recriando possibilidades sobre os seus sentimentos frente a sua existência. Este manejo clínico no âmbito psicoeducativo da psicologia hospitalar, viabiliza o re-encontro da criança e do adolescente com os seus sentimentos anteriores à hospitalização e o seu enfrentamento ao adoecimento. Através da produção do Livro dos Hojes, eles tornam capazes de construir um entendimento sobre o SENTIDO DO EXISTIR no processo de adoecimento e hospitalização. O marco teórico que embasa este estudo fundamenta-se nos autores: Dulce Critelli, Jean Clark Juliano, Luiz Cancello e Alfredo Simonetti.


Instagram @psikatiaguerra


quinta-feira

Sintoma e Conceitualização de Caso

 


A Interpretação dos Sintomas na Psicologia Clínica: Fumaça, Vulcão e os 3 Ps na Conceitualização de Caso


Na escuta clínica, o sintoma não deve ser compreendido como um inimigo a ser combatido, mas como um sinal que anuncia algo mais profundo  assim como a fumaça que emerge de um vulcão sinaliza uma movimentação intensa no seu interior. A imagem do vulcão nos convida a compreender que os sintomas psíquicos são apenas a face visível de uma complexa engrenagem interna que envolve vivências, vulnerabilidades e histórias emocionais.


Sintomas como ansiedade, somatizações, distúrbios alimentares, comportamentos opositores ou retraimento social, muitas vezes, são apenas a “fumaça” de processos emocionais subterrâneos que precisam de interpretação cuidadosa e acolhedora. Eles são expressões legítimas de sofrimento, e não meros comportamentos a serem extintos. Segundo a Terapia do Esquema, esses sintomas são ativados por esquemas desadaptativos formados em contextos de necessidades emocionais não atendidas na infância (Young et al., 2008).


Para além da descrição comportamental, é necessário compreender o que mantém, ativa ou predispõe esse sintoma, por meio de uma análise clínica conhecida como os 3 Ps: Predisponentes, Precipitantes e Perpetuantes. Essa organização contribui para a conceitualização de caso, permitindo uma intervenção que vá além do sintomático e abarque o histórico emocional do sujeito.

- Fatores Predisponentes referem-se à história pregressa do indivíduo, como experiências precoces de insegurança emocional, traços de temperamento, vivências de negligência ou superproteção, e estilos parentais que interferiram no desenvolvimento da autonomia e da autoestima.

- Fatores Precipitantes são eventos desencadeantes que ativam esquemas emocionais preexistentes, como separações, perdas, mudanças bruscas ou adoecimentos.

- Fatores Perpetuantes dizem respeito a tudo aquilo que mantém o sintoma ativo, mesmo após o evento inicial ter passado, como padrões de evitação, reforços ambientais involuntários e ausência de suporte afetivo consistente.


De acordo com Abreu (2019), os padrões de apego desenvolvidos na infância moldam a forma como o sujeito lida com emoções, relacionamentos e estressores ao longo da vida. Quando a criança cresce em um ambiente relacional instável, suas estratégias de vinculação podem se tornar inseguras, gerando dificuldades de regulação emocional e contribuindo para o surgimento de sintomas clínicos.


Gerhardt (2017) complementa ao destacar que os primeiros vínculos moldam diretamente o desenvolvimento do sistema nervoso e a capacidade de autorregulação. A ausência de cuidados responsivos e consistentes impacta áreas como o sistema límbico, o eixo HPA e os níveis de ocitocina, contribuindo para maior vulnerabilidade ao estresse, estados de hiperativação ou colapso emocional.


Esse olhar clínico integrativo fundamentou a atuação descrita por mim, enquanto psicóloga hospitalar, no artigo científico publicado na Revista Residência Pediátrica (Lira, Guerra, Costa & Santos, 2024), onde realizamos uma intervenção psicológica precoce no contexto de dor crônica idiopática em adolescentes internadas em unidade de enfermaria pediátrica. Utilizando os 3 Ps como eixo de conceitualização  predisponentes, precipitantes e perpetuantes  investigamos o papel do apego inseguro como fator de risco central na sintomatologia dolorosa.


Nos casos descritos, técnicas de reparentalização limitada, escuta validante e abordagem das memórias traumáticas promoveram rápida redução da dor, diminuição da necessidade de analgésicos e melhora funcional em poucos dias de internação. Essa experiência clínica reforça o entendimento de que o sintoma (a dor, nesse caso) é apenas a superfície visível de uma história emocional mais profunda que precisa ser ouvida e integrada. A psicologia hospitalar, ao atuar desde a admissão, foi capaz de acessar as raízes do sofrimento psíquico e contribuir para uma recuperação mais eficaz, afetiva e menos medicalizada.


Como destacam Siegel e Bryson (2015), “a integração é a base da saúde”. E integrar, na prática terapêutica, significa unir o que foi fragmentado  corpo, emoção, memória, vínculo  para que o sujeito possa, enfim, viver com mais liberdade e segurança interna.

Conforme isso publiquei no Diário de Pernambuco sobre intervenção no Apego inseguro e prevenção de traumas na infância.


https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2023/11/criancas-exploradas-pela-mae-podem-ter-sequelas-irreparaveis.html?fbclid=PAZnRzaASQYjtleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZA8xMjQwMjQ1NzQyODc0MTQAAaeH-Lm8MwmnY_TDkWWe4hkg9FhpPS-cOM4-HPs4V7f23IuFd99KcKjmdl-MzA_aem_majyqVISzeQwV_o4spZE9A



Referências


Abreu, C. N. (2019). Teoria do apego: Fundamentos, pesquisas e implicações clínicas. Artesã Editora.


Gerhardt, S. (2017). Por que o amor é importante: Como o afeto molda o cérebro do bebê (2ª ed., M. Ritomy, Trad.; L. V. Corso, Rev. técnica). Artmed.


Lira, R. R. S., Guerra, K. R. N. B., Costa, B. M. B., & Santos, A. R. B. V. (2024). Intervenção no apego inseguro para tratamento da dor crônica idiopática em pediatria. Residência Pediátrica, 14(2), 1–4. https://doi.org/10.25060/residpediatr-2024.v14n2-998


Siegel, D. J., & Bryson, T. P. (2015). O cérebro da criança: 12 estratégias revolucionárias para nutrir a mente em desenvolvimento do seu filho e ajudar sua família a prosperar (C. Zanon, Trad.). nVersos.


Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2008). Terapia do esquema: Guia do terapeuta. Porto Alegre: Artmed.




Psicóloga Kátia Baptista Guerra

CRP 02/22746

Especialista em Psicologia Clínica e Hospitalar

Neuropsicóloga | Neurociência e Trauma na Infância | Transtornos Alimentares

sábado

A criança que fica em nós

 A Criança Que Fica em Nós


A criança que fica em nós




(Verso único)

Era uma vez um corpo pequeno,

Que sentia o mundo inteiro por dentro.

Cada lágrima, um grito calado,

Cada dor, um afeto silenciado.




(Refrão curto)

Toda criança um dia vai lembrar

De quem ajudou seu corpo a sarar.

Mas vai guardar com mais ternura

Quem cuidou da sua alma com doçura.




(Final)

Pois o sintoma que se faz ouvir

É a história pedindo pra existir.

E a criança que agora está no leito,

Também mora em cada peito.


segunda-feira

SINTOMAS- Música por Kátia Baptista Guerra





O sintoma é um sinal.

Um pedido silencioso de uma parte nossa que ainda dói —o

algo que o corpo grita quando a alma não teve espaço pra falar.


Vivemos numa cultura que ensina a esconder, a calar.

Mas o que cura não é o silêncio. É o encontro com o que ficou abafado.


Na Terapia do Esquema, entendemos que o sintoma não deve ser apagado,

mas compreendido, escutado, cuidado.


Ele é como uma cartinha da nossa criança interior, dizendo:

-“Será que agora você pode me ouvir?

- “Será que posso ser cuidada como precisava?”


Se isso tocou você… talvez seja hora de começar a se reconectar.

Psicóloga Kátia Baptista Guerra 
CRP 02/22746

Especialista em Psicologia Clínica e Hospitalar; Neuropsicologia e Neurociência Trauma na Infantil.
Terapia do Esquema pelo Grupo Wainer Psicologia 

domingo

Música: “O colo que eu esperava”.




 “O Colo Que Eu Esperava”


Letra por Katia Guerra


[Verso 1]

Querida mãe, respira um pouquinho

Hoje eu vim falar baixinho

Com a mulher que cuida sem parar

Mas também com a criança que ainda vive aí no seu olhar


Antes de ser mãe, você foi filha

Antes de cuidar, também quis guarida

Antes de proteger, você só queria alguém

Pra dizer: “Vai ficar tudo bem”


[Pré-refrão]

Fecha os olhos, sente o chão

Respira fundo com o coração

Tem uma menina aí dentro de ti

Que só quer ser vista, só quer emergir


[Refrão]

Ela ainda mora em você

Na rotina, no medo, no amanhecer

E hoje, entre o cansaço e a emoção

Ela aprende a ser mãe na sua mão

O colo que ela nunca teve inteiro

Agora pode ser verdadeiro

É tempo de reencontrar

E de se recomeçar


[Verso 2]

Entre plantões e silêncios guardados

Tem uma pausa pedindo cuidado

Um fio te conduz pela sua história

Da infância à vitória de amar com memória


[Ponte]

Não é sobre ser perfeita, é sobre ser real

Nomear o sentimento, dar limite com sinal

É sobre curar feridas com afeto e intenção

E acolher sua dor com compaixão


[Refrão Final]

Ela ainda mora em você

E agora começa a entender

Que cuidar de um filho é também se cuidar

Que amar o presente é se resgatar

Você é o colo que ela esperava

E a mãe que ela mesma sonhava

O fio que te conduz…

É amor que reluz.




Perfil

O Que São Esquemas Iniciais Desadaptativos? Uma Compreensão à Luz da Terapia do Esquema

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