terça-feira

Como a sua infância influencia sua saúde emocional hoje?


 

A criança interior, as necessidades emocionais e a importância de compreender nossa história.


Você já percebeu que algumas situações do presente despertam sentimentos muito intensos, como medo de abandono, insegurança, rejeição ou necessidade de aprovação?


Muitas vezes, para compreender essas reações, precisamos olhar um pouco além do que está acontecendo hoje.


Na Terapia do Esquema, Jeffrey Young e seus colaboradores (2008) explicam que nossas experiências na infância, associadas ao temperamento e ao atendimento das necessidades emocionais básicas, podem influenciar a maneira como pensamos, sentimos e nos comportamos ao longo da vida.


Todos nós precisamos de segurança, afeto, autonomia, liberdade para expressar emoções, espontaneidade e limites saudáveis. Quando essas necessidades não são suficientemente atendidas, podemos desenvolver padrões emocionais que continuam presentes na vida adulta.


Mas o que isso tem a ver com a nossa criança interior?


Stefanie Stahl (2023), no livro Acolhendo sua criança interior: Caderno de atividades, utiliza duas representações para ajudar a compreender nossas experiências: a criança-sombra e a criança-sol.


A criança-sombra representa aspectos associados às experiências dolorosas, às inseguranças e às crenças negativas que podemos desenvolver sobre nós mesmos. Por exemplo, uma criança que cresceu sentindo que não era suficientemente importante pode tornar-se um adulto que busca constantemente aprovação.


Já a criança-sol representa nossos recursos saudáveis, nossas experiências positivas, nossa capacidade de confiar, estabelecer vínculos e reconhecer nosso próprio valor.


Essas duas representações nos ajudam a refletir sobre nossa história sem reduzir nossa identidade às experiências difíceis.


E onde entra a reparentalização limitada?


Na Terapia do Esquema, Young et al. (2008) apresentam a reparentalização limitada como uma forma de o terapeuta oferecer, dentro dos limites éticos da relação profissional, acolhimento, segurança, validação emocional e orientação.


Não significa substituir os pais ou modificar o passado, mas ajudar a pessoa a reconhecer necessidades que não foram suficientemente atendidas e desenvolver novas maneiras de cuidar de si.


Na prática clínica, considero importante compreender não apenas o sintoma apresentado, mas também a história emocional, as relações familiares, os padrões aprendidos e as formas de enfrentamento desenvolvidas ao longo da vida.


É esse olhar integrado que utilizo na minha metáfora do Arquipélago de Si.


Imagine que o sintoma seja apenas uma ilha. Para compreendê-lo, precisamos conhecer as outras ilhas que compõem a história daquela pessoa.


Isso não significa que todo sofrimento emocional tenha origem na infância. Nosso funcionamento também é influenciado por fatores biológicos, acontecimentos atuais e pelo ambiente em que vivemos.


Por isso, o raciocínio clínico precisa considerar a pessoa como um todo.


Olhar para nossa criança interior não é permanecer no passado. É compreender como algumas experiências ainda podem influenciar nossas emoções e escolhas no presente.


E deixo uma pergunta para sua reflexão:


Será que algumas das suas reações emocionais de hoje estão relacionadas a necessidades que não foram suficientemente atendidas na sua infância?


A psicoterapia pode ajudar nesse processo de autoconhecimento, acolhimento e construção de novas formas de lidar com as emoções.


Kátia Baptista Guerra

Psicóloga Clínica e Hospitalar | Neuropsicóloga

TCC | Terapia do Esquema

CRP 02/22746


Instagram: @psikatiaguerra

Contato: (81) 99108-0908


Referências


Stahl, S. (2023). Acolhendo sua criança interior: Caderno de atividades (T. Lersch, Trad.). Sextante.


Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2008). Terapia do esquema: Guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras (R. C. Costa, Trad.). Artmed.

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